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Um dos sucessos do Netflix teve seu mangá lançado no Brasil pela JBC, a série espacial Knights of Sidonia. Uma serie que no anime divide opiniões e no mangá não seria diferente.

SPOILERS IN BLUE

Após a humanidade ter sido quase devastada por Guanas, seres monstruosos que perseguem a humanidade sem um motivo conhecido, os poucos humanos que sobrevivem acabam por sobreviver em sua gigantesca nave-mãe “Sidonia” e por causa disso, a humanidade acaba por ser obrigada a sofrer mutações que os fazem viver como plantas, realizando fotossintesse e comendo menos possível, além de outras mutações como reprodução.


Nagate Tanikaze é um jovem rapaz que viveu no subsolo de Sidonia e conhecia apenas seu avô, nunca teve contato com outros humanos. Ao tentar procurar por comida, acaba caindo em uma maquina de arroz e perseguido por estar tentando roubar arroz. Ele é capturado e por algum motivo obscuro, acaba sendo colocado como piloto de um “guardião” (um robo gigante). E logo em sua primeira missão ele acaba involuntariamente lutando contra um Gauna.

Aparentemente este seria apenas mais um manga de robôs gigantes e com uma historia genérica para o estilo “mecha”, mas ao menos neste primeiro volume, Sidonia está mais para um mangá “slice of life espacial” do que propriamente mecha, porque os robôs não são exatamente o foco, mas sim o protagonista e um pouco de seu dia a dia e de outros personagens. Isso pode mudar em outros volumes, mas a principio a maior ação do mangá é ver Tanikaze se ferrando. Alguns podem questionar que Evangelion também é meio “slice of life” também e do pouco que vi, Evangelion parece ter mais ação (e depressão).

Ao ver o termo “se ferrando”, a ideia pra quem nunca leu o manga ou viu o anime é de que Tanikaze seja mais um “protagonista idiota”, muito comum nos shonens, mas não é bem o caso. Ele só é um “incluso” que desconhece aquela sociedade. Mas não espere pensamentos filosóficos ou idiotas de Tanikaze. Ele é inexpressivo, alías, todos os personagens são inexpressivos e nada cativantes. Os personagens no geral possuem expressões que muita das vezes não correspondem com a cena. Claro, por não ser um manga de comédia, não esperamos expressões exageradas, mas a falta delas incomoda, sendo quase sempre as mesmas expressões. Até mesmo o robô, que apesar de possuir um desing mais “realista” do ponto de vista se robos gigantes fossem construídos em nossa realidade, é bem sem sal visualmente.

Com esses detalhes e um traço meio simplório em seus personagens, Sidonia se destaca mais em cenas onde vemos grandes construções e se percebe que o autor manja bem de construções de cenários com estrutura complexa. Claro, nada belo como cenários de Vagabond ou Green Blood, apesar de serem de temas totalmente distintos, mas se for comparar técnica, no geral Sidonia ainda fica devendo, mas não dá para negar que para criar estruturas de um mundo ficctício que ele está acima da média.

Alie tudo isso ao fato que as batalhas espaciais são meio complexas e o andamento da historia no geral é bem diferente. Não é uma leitura lenta, pelo contrario, ela é bem rápida e sem nenhum dialogo complexo, mas se você nunca viu a animação, algumas coisas parecerão meio sem nexo e com falta de detalhes que a animação tenta preencher em alguns casos (e que deixa a batalha muito mais clara).

Outra polêmica é a qualidade física da versão da JBC e o preço de salgados R$17,50. Muitos esperavam ao menos a qualidade proxima de Vagabond e One-Punch Man da Panini, mas é uma comparação injusta por serem de editoras diferentes com e$trutura$ e poder financeiro diferente, ainda mais que a JBC trabalha só com mangás e a Panini com muita coisa diferente, tendo a possibilidade de fazer algo melhor por um menor preço. Alguns podem então questionar se o preço é por causa da crise. Bem, não é o caso. A qualidade do papel é igual a de Terra Formars que custa R$15,90, ou seja, possui transparencia assim como os mangás das baratas e apesar de notável, não é nenhum absursdo como em Gangsta #01 ou Orange #01, é bem menos transparente e está quase como o papel de YuYu Hakusho #19.

Então, o que deixa Sidonia caro? Simples! Paginas coloridas! Terra Formars não tem! Se Sidonia não tivesse paginas coloridas, estaria no mesmo preço que Terra Formars por ser do mesmo tipo de papel. E as paginas coloridas em Sidonia nem fazem tanta diferença pro manga. Por favor, não comparem com mangas da Panini que tenham paginas coloridas e não aumentam de preço. Isso é algo comum de acontecer com os mangas da JBC. Ainda tem o fato que segundo a JBC, sidonia tem algo na capa que o deixa mais brilhoso e isso é mais um fator de aumento de preço. Particularmente considero escolhas erradas para a situação financeira do pais, 00mas a editora de vez em quando faz esse tipo de escolha que não é bom pro nosso bolso, como fez em Zetman, teoricamente eles devem saber o que fazem.

Enfim, o volume 01 de Knights of Sidonia se mostra uma opção complicada. Quem acompanhou o anime e gosta dele provavelmente acompanharia o mangá para ver o desfecho que o anime não exibiu. Eu vi apenas alguns episódios que foram baseados neste primeiro volume. Não digo que odiei ou amei o mangá, mas acredito que num segundo volume seja possível ver se Sidonia deslancha ou se seguira o mesmo estranho ritmo.