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Existe receita de sucesso para um manga? Normalmente a história tem de ser boa. Mas e se ela é meio parecida com o que você já vê em determinada demografia? Um pequeno diferencial pode fazer o destaque necessário ocorrer, como ocorreu em Orange.

Orange é um manga shoujo (sim, shoujo, shoujissimo, nada de seinen) criado por Ichigo Takano (que considera sua obra obviamente como um shoujo!) e que possui todas as características básicas de receita de bolo de um shoujo padrão.

Spoilers in blue:

Naho Takamiya é uma adolescente de 16 anos que recebeu uma carta de sí mesma de 10 anos no futuro que detalha acontecimentos que irão ocorrer na vida de Naho e a mesma terá de tentar evitar que alguns desses acontecimentos ocorrão antes que ela e seus amigos tenham profundos arrependimentos, mesmo 10 anos depois, num futuro onde Kakeru Naruse, o novo aluno transferido, não estará com eles, um futuro que poderia ser evitado. Um futuro que Kakeru poderia estar vivo. Vemos Naho do presente, tentando entender e evitar que ocorra o que aconteceu na carta e Naho 10 anos no futuro, casada e com filho.

Orange é o típico shoujo que segue moderadamente a demografia por explorar bem suas características, traços meigos e sentimentalismo, porém com um pouco daquilo que tem feito do atual shoujo ser apreciado e odiado, romance escolar. Felizmente essa característica que colabora pra aquela impressão de que “todo shoujo é igual” é equilibrada.

Temos a receita de bolo: Protagonista tímida, aluno transferido bonitão, ambiente escolar… Olhando superficialmente, a impressão de mais do mesmo existe, porém com algumas ressalvas, a protagonista, apesar de ter seus momentos de fraqueza, não é um pote de lagrimas, os garotos não se parecem com garotas e mesmo o romance não é algo forçado.

O diferencial de Orange é a história das cartas que revelam o futuro e de como ele pode ser evitado, ficando para a Naho a grande responsabilidade de mudar esse futuro e pequenas atitudes dela fazem isso. É interessante o fato de que vemos ambas versões de passado e futuro no mesmo manga e imaginar o que acontecerá em volumes futuros com a turma de 10 anos a frente, aliado ao fato de que a Naho do futuro esta casada com um de seus colegas e tem seu filho, alterar o passado mudaria sua família? Apesar do tema “Passado e futuro”, o seguimento da história em nada se assemelha a Steins;Gate.

Já os traços, apesar de ser “padrão shoujo”, vão do “bom” ao “Poderia ser melhor”. Algumas cenas tem o traço bonito mas a maioria é meio fraco comparada ao que a própria autora consegue fazer. Mesmo contra Sailor Moon, que é um shoujo antigo, os traços de Orange perdem em firmeza em certos quadros. Faltou um certo capricho no geral. Comparados então com Nana ou os mais contemporâneos Aoharaido e Limit, essa comparação de traço fica mais aparente. Não significa que é um traço ruim, mas poderia ser muito melhor.

Antes que venham com o blá, blá, blá de que Orange se tornou seinen porque depois de um tempo o manga saiu numa revista seinen no Japão, não, definitivamente nada em Orange justifica chamar o mesmo de seinen só por causa disso. Seria como chamar uma laranja de melancia só por estar entre varias melancias. Tudo em Orange é shoujo por suas características em sí.

E no fim, Orange é indicado pra quem não gosta de shoujo? Bem, gosto é gosto. Mesmo se você, como eu, não gostar de Aoharaido, pode ser que possa gostar de Orange por ele ser mais equilibrado e ter uma história curiosa. Mas se você nunca leu algo do gênero, ainda assim Orange é um bom manga pra começar.

No fim do primeiro volume existe uma história bônus não relacionada com Orange e que consta talvez com mais características de “shoujo atual” do que Orange, ou seja, romance mega meloso escolar. Pra quem gosta de shoujo deve talvez agradar, mas considero meio que desnecessário pois não tem uma premissa interessante. Duas adolescentes gêmeas apaixonadas por um garoto, que por sinal é idêntico ao Kakeru de Orange, que é idêntico a outro personagem do outro manga da autora, o Re:Collection, que parece com um dos protagonistas de Aoharaido, que parece com… Ah, acho que entendeu.

00E pra não perder o costume, sobre a versão nacional. O papel é offset do mesmo tipo do de Terra Formars. Alguns podem questionar como Orange possa parecer mais transparente que Limit, que tem um papel mais fino. Limit, mesmo sendo shoujo, tem mais detalhes que camuflam a transparência, já Orange não, existe muito branco e apesar de poder ser possível ver um pouco da pagina posterior, não atrapalha a leitura em si, Não é como a transparencia de Gangsta (aquele é transparente até no Preto! o.O ) e mesmo não tão transparente como estes, é obviamente transparente e pra um shoujo, fica feio.

A não ser que você seja avesso a qualquer tipo de história com romance, Orange tem sim boas chances de agrada-lo, apesar de particularmente preferir Limit, Orange tem chances de ser um dos melhores shoujos do ano e isso só baseando-se no volume 1.