review
Todo mundo começou que se tornou um verdadeiro fã de mangas começou obviamente lendo um e no meu caso foi com Buso Renkin.

A segunda obra publicada no Brasil do mesmo autor de Samurai X/Rurounin Kenshin veio pela JBC a alguns anos e infelizmente não teve o mesmo sucesso por algumas razões, mas foi o primeiro manga que li na vida, porém era em Scans e não estava concluído na época. Por muito tempo não me recordava de seu nome mas depois de acidentalmente conhecer seu anime e descobrir que a JBC tinha trago o manga, tratei logo de adquirir a coleção, mesmo sabendo que ele tinha sido “cancelado”.

Spoilers in Blue:

Kazuki Muto, um adolescente acaba sendo mortalmente ferido em seu coração ao tentar salvar Tokiko, uma bela garota com uma cicatriz no rosto que estava sendo atacada por homúnculos, criaturas criadas pela alquimia. Em uma tentativa de salvar o rapaz, Tokiko coloca no lugar do seu coração uma Kakugane, artefatos criados pelos alquimistas que além do poder de cura, dão ao usuário a possibilidade de usar armas poderosas e com isso Kazuki revive como um guerreiro alquimico. Porém, sua nova vida será repleta de batalhas e reviravoltas, tanto contra o grande número de homúnculos que surgiram, quanto para com o esquadrão alquimico, que verá Kazuki como uma grande ameaça devido a sua própria Kakugane ter se mostrado mais misteriosa do que parece.

Mesmo usando temas semelhantes como alquimia, uma das comparações e fator que colaborou com o “fracasso” de Buso Renkin é que na época, o manga Fullmetal Alchemist abordava o mesmo tema e mesmo ambos sendo shonen, FMA conseguia ser mais sombrio e consistente do que Buso, que não é muito mais que um shonen genérico, aliado ao fato do peso da sombra de Ruronin Kenshin pesar muito e com isso ocorre comparações as vezes injustas por serem de temáticas diferentes.

Desde Ruronin Kenshin, através dos volumes era notório a mudança de traço do mangaka Nobuhiro Watsuki e após uma mudança radical em Guns Blaze West (manga de Watsuki de 3 volumes pós-Samurai X que lembra um pouco visualmente ao recente Bullet Armors e que poderia ser lançado pela JBC, pra quem lançou Enigma que também foi cancelado…), em Buso Renkin o que temos é um traço que acabou se tornando meio que a base para trabalhos posteriores de Watsuki sensei como Embalming e o recem anunciado pela JBC, Ruronin Kenshin: Tokuhitsuban. Alguns podem dizer que preferem o traço de Kenshin original, mas ele funciona bem em Buso Renkin.

Mas mesmo com um traço muito bom, Buso é um “Battle Shonen”, o tipo de manga que batalhas são seu foco e mesmo tendo elementos visuais muito bons, nem sempre os enquadramentos e a duração das batalhas ficaram bons o suficiente para o estilo. Alguns podem estranhar como isso pode acontecer depois de um manga como Kenshin que teve batalhas épicas. Razoes podem existir varias, mas um dos fatos mais perceptíveis era as armas em Buso Renkin, elas em sua maioria não são simples de descrever em batalha como espadas em Kenshin. Visualmente elas eram super legais como a lança exagerada de Kazuki ou as pernas de aranha com laminas de Tokiko, mas para um manga semanal, Watsuki foi um herói em conseguir trabalhar com armas tão complexas.

Apesar do termo “shonen genérico”, Buso possui personagens bem cativantes. Talvez o mais próximo de shonen genérico é justamente Kazuki, o protagonista que consta com o básico da demografia e o que ajuda a diferir eles dos demais é justamente a sua lança, mas é um bom personagem. Destaque vão para o seu chefe, o Capitão Bravo e Pappilon, o anti-herói “suspeito” da história.

Apesar de alguns furos básicos de roteiro que podem até passar despercebido de alguns leitores, creio que o que fez a serie desandar é coisas como as kakuganes poderem virar coisas absurdas, mesmo pra serie, como um submarino (o que pra mim foi o ponto WAT da serie), depois disso, até robô gigante as kakuganes puderam virar, saindo totalmente fora do contexto inicial delas se tornarem armas. Coincidentemente foi desse ponto que a serie foi cancelada, mas o cancelamento chegou próximo ao final da serie, que conseguiu tem um final aceitável.

Não posso realmente afirmar as razoes do cancelamento da serie. Há quem diga que foi a comparação injusta com FMA por causa do tema alquimia, outros por Buso definitivamente não ser um “RuroKen”, outros por existir algumas bagunças no roteiro, mas pra mim foi “japonice”, pois segundo Watsuki em posfácios, tinha gente que reclamava de coisas nonsense, desde piadinhas bacanas a coisas consideradas “sensuais” para com Tokiko (nada demais, na verdade), e junta com um autor negativista, a vontade é de dar um pescoção em todo mundo, pois por mais que seja uma serie genérica, ela é divertida e merecia ser melhor trabalhada ao menos nos momentos finais.

001No volume final existe um bônus, um One-shot de Embalming, huma história viajada de Franksteins que tem uma vibe de Buso Renkin com Hellsing e que acabou gerando uma serie que bem que a JBC poderia ter trazido pois se seguir a linha desse one-shot, tem tudo pra agradar os leitores. Jhon Doe é um Frankstein que trabalha exterminando outros Franksteins e que recebe como pagamento, partes de cadáveres de mulher para montar a sua noiva. Apesar de ser curto e que precisaria de um pouco mais de páginas, a história empolga.

Depois temos um ultimo capitulo de Buso Renkin, onde descobrimos o mistério da cicatriz do rosto de Tokiko. Apesar disso, a história termina como uma boa comedia romântica.

Apesar de difícil, Buso Renkin seria das poucas historias que eu faria questão de comprar de novo se viesse em uma edição de luxo, mesmo não sendo tão grandiosa, mais por um “carinho” por ter sido o primeiro manga que tive contato. Mas para uma história “cancelada” que conseguiu um anime após o cancelamento, não pode ser considerada ruim, certo?