review
Quando um autor habituado a escrever histórias românticas resolve criar uma historia totalmente diferente de suas obras anteriores, será que dá certo?

Bem, há casos que dão certo, como no caso do mangaka Masakasu Katsura, que ganhou fama com a comedia romântica Vídeo Girl AI (um dos primeiros mangas da JBC e que abriu as portas para Love Hina no Brasil). Sua ultima obra – Zetman – é considerada por muitos como sua obra máxima exatamente por fugir de sua zona de conforto e embarcar em temas mais sombrios, além de refinar o seu já ótimo traço.

Zetman bebe da fonte de personagens como Batman, porém a única coisa que possui de semelhante é o clima sombrio das historias mais recentes do homem morcego, talvez até mais sombrio! Vamos aos spoilers para entender.

VOL 1:

No inicio vemos um ser ferido (que é o protagonista em sua forma heróica(?)) e tendo uma arma mirada para seu peito e baseado no que vemos na capa do volume 01, imaginamos que veriamos muito desse ser capirotesco na história, mas praticamente em 95% do volume nós acompanhamos a infancia de Jin antes de se tornar no Zetman. Vemos como Jin desde pequeno era um garoto excepcional que se dispunha a salvar as pessoas. Mas por ser pobre, ele salva as pessoas como se fosse um trabalho e espera ser pago por isso, o que nem sempre dá certo.
Criado por seu “Avo”, que o ensina sobre as coisas basicas da vida, desde estudo a convivencia social, seu avô parece saber muito sobre Jin e faz o possivel para que ele aprenda a viver como uma pessoa normal. Inclusive o “velho” é perseguido por uma organização misteriosa, e até a sua “velhice” é algo de misterioso. Neste período, crimes misteriosos ocorrem na cidade onde pessoas são misteriosamente cortadas ao meio e a policia não tem ideia de como isso está acontecendo.

Após Jin salvar uma stripper – que acabou gostando do garoto (não, não é no sentido sujo que você pode estar pensando) Jin e seu avo se encontram com o assassino misterioso que na verdade é uma criatura monstruosa conhecida como “players” e esse encontro acaba se tornando trágico, mas de certa maneira “necessário” para despertar o lado mais humano de Jin, pois o garoto pelo visto tem alguma relação com os players. O garoto acaba se envolvendo com a stripper (pare de pensar “naquilo”), só que o cara que ameaçou a moça – da qual Jin sempre se refere como tia” – volta por vingança e Jin para salva-lá de ser brutalmente de um assassinato, acaba despertando um pouco de seus poderes para salva-la.

VOL 2:

Neste volume alguns anos se passaram e Jin já é um adolescente e que é criado pela “tia”, a ex-stripper que tem grandes dificuldades de arrumar emprego devido a terrivel cicatriz no rosto. Konoha, que conheceu Jin ainda criança, reconhece o rapaz quando o mesmo salva um colega de classe da garota que estava em poder de uma gangue. Mas ela teme que Jin não seja o mesmo por aparentemente ter uma relação com o grupo. Seu irmão, Koga Amagi é um brilhante aluno e esportista, mas que possui um “senso de justiça” e seu maior desejo é ser um super heroi. Junto a três cientistas da empresa de seu pai, Koga se mune de instrumentos para descobrir quem é o responsável por criar incendios misteriosos na cidade. Em meio as chamas, Koga encontra Jin, que estava lutando escondido contra um player que é o responsável pelos incendios. Uma familia acaba sendo salva por Jin mas Koga quem ganha a fama e o mesmo fica incomodado com o fato, pois sua intenção era de pegar o criminoso e não de salvar a familia. Agora as empresas Amagi resolvem patrocinar oficialmente o novo “heroi” enquanto ao mesmo tempo acabam descobrindo que Jin é o ZET, o ser que era procurado pelo lider da organização Mitsugai Amagi.

Por ser um seinen, que na maioria das vezes possui traços mais realistas ou mais sérios e menos cômicos, Zetman não foge muito a regra e possui traços muito bons e detalhados em sua maior parte, mas sendo mais oitentista, o que não é algo ruim. Mas o fato da infância de Jin ser retratada, Katsura usa traços que ainda lembram seus trabalhos anteriores como D.N.A.2. Se isso é ruim? Bem, é complicado. Gosto muito dos traços cômicos de Katsura, principalmente nas capas de mangas como D.N.A 2 do volume 2 em diante ou de I”s onde o visual das moças é bem realista, mas até o momento não vi algo em capas de Zetman do mesmo nível técnico que Katsura consegue fazer – e eu não gosto da capa do volume 01 – mas no mangá em si é notório o quanto o traço é bem melhor do que em suas obras anteriores, além dos cenários estarem bem acima da media. Comparar Zetman com Vagabond (Takehiko Inoue) ou Gigantomachia (Kentaro Miura) usando apenas o volume 01 de referencia seria complicado, mas já no volume 2 é nítida uma qualidade maior e em futuros volumes essa qualidade chegará aos níveis das referidas séries. E como não falar das cenas de ação? São suficiente para acabar com o folego e de silenciar qualquer um que possa reclamar dos traços oitentistas iniciais de Zetman.

Zetman não é recomendado para maiores de 18 anos por acaso. É um mangá que usa de todos os aspectos caracteristicos de um verdadeiro seinen (o que faz considerar que chamarem Orange de seinen só por sair numa revista da demografia uma tremenda piada). Há muitas cenas brutais, violentas, nudez e temas pesados que faz com que Hqs da Marvel e da DC pareçam história de criança dormir, mesmo em temas “pesados”. E não são temas “abusados” para justificar a demografia, é como se a realidade de heróis, monstros e justiça heroica acontecessem em nosso mundo real, de modo que a história ficasse plausivel em nosso mundo.

Falando em questões técnicas da edição da JBC e entrando na polemica; o mangá é muito caro de fato. R$ 17,90 em tempos de crise é um valor muito alto para nossos dias de crise e 20 edições mensais é uma questão mais complicada. Eu mesmo não tinha planos de colecionar, mas a JBC tinha feito um plano de assinatura promocional que fazia com que os mangas saíssem a R$ 14,90 cada e acabei assinando (uma pena que a promoção acabou).

Zetman é do tamanho de Sailor Moon e Zetsuen no Tempest, mas usaremos este ultimo como comparativo. Ambos possuem o mesmo número aproximado de páginas, porém as páginas de Zetman são aparentemente mais finas (que Zetsuen, que teóricamente seria o mesmo papel brite 52). O que faria Zetman ser tão mais caro? Tem vários pontos: Zetsuen não possui páginas coloridas, já Zetman tem algumas, só isso no mínimo aumentaria R$ 1,00. O dolar tem seu peso na historia e alguns podem argumentar que ele seja o culpado, aliado a uma suposta licença mais cara, mas o culpado tem nome: Laminação Fosca.

Todo mangá com capa fosca é normalmente mais bonito que os demais e apresenta uma sensação agradável ao segura-los. O problema é que essa Laminação deixa o manga de R$ 2,00 a R$ 3,00 mais caro. Exemplos de extremos, All You Need Is Kill tem o mesmo tamanho de Zetsuen, mas bem menos paginas, sem capa fosca e saiu a R$ 12,50, Green Blood que foi lançado ao mesmo tempo de AYNK, tem as mesmas proporções, numero de paginas MAS com capa fosca, R$ 14,90! Sim, capas de Laminação fosca são grande vilão da historia. Só fazer as contas, se Zetsuen fosse lançado com capas foscas e paginas coloridas, teria o mesmo preço.

00Então a JBC é inocente? Bem, foi um planejamento deles em usar esse tipo de capa, a não ser que fosse exigência da editora japonesa, o que duvido muito pois a Jump (no caso de Zetman) trabalha mais com a panini e quantos mangas dela vemos com esse tipo de capa? Já tiveram, mas do que é lançado hoje em dia, não sei de nenhum. Pra ver como o lance de capa fosca é problemático, veja esse henshin online de 2013 quando foi lançado Diário do Futuro (Mirai Nikki) e Another, ambos de capa fosca e de preço de R$ 14,90 e R$ 13,90 respectivamente. Isso foram preços numa época que o preço deles era R$ 10,90 ou R$ 11,90.

Enfim, mesmo com toda essa polemica, Zetman ainda assim se mostrou interessante e espero que a serie consiga sobreviver no pais mesmo com todo esse preço.