Os tokusatsus (séries de super-heróis japoneses) já foram um grande sucesso no Brasil e se hoje os Power Rangers tem a fama que tem (hoje não tanto quanto antigamente) devem a series clássicas como Ultraman.

Apesar de ter acompanhado muitas das series clássicas como Jaspion, Changeman, Flashman, Jiraya, Cybercops, Giban, Lionman e outros, confesso que nunca fui fã de Ultraman, mesmo sabendo que ele usava a mesma formula da maioria dos tokusatsus, ETs invadem a terra, herói o derrota. Acho que dois motivos que nunca me atraíram na serie clássica era o visual do Ultraman clássico (o que não gosto até hoje) e o fato de não haver um robô gigante, ficando Ele gigante (sim, bobagem nesse caso, ainda mais porque tinha series que eu mencionei que não tinham robôs gigantes.


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Então a JBC anunciou Ultraman em mangá – em um raríssimo e bem vindo caso de manga oficialmente bimestral – e uma premissa bem diferente do que eu me lembro de Ultraman, além de uma armadura moderna muito mais bacana do que o original. E não, não é o fato de lembrar da armadura do Homem de Ferro da Marvel que me fez curtir o visual.

SPOILERS IN BLUE:
Shin Hayata, atual ministro da defesa do Japão foi uma vez o “Gigante de Luz“, o Ultraman, este que uma vez usou Shin como hospedeiro para que um humano pudesse combater as forças alienígenas que apareceram. Após o fim das batalhas, o Ultraman voltou para sua galáxia e Shin voltou a uma vida “norma”. Casou-se e teve um filho, Shinjiro. Mas Shin não se lembra que foi o Ultraman.

Shin percebe que Shinjiro tem o mesmo “problema” que ele, possui uma força e resistência sobre-humana e após alguns ocorridos, Shin lembra quem era.

Shin tenta levar uma vida normal, apesar de ser um garoto tímido e após salvar uma garota de uns valentões e não conseguir controlar a sua força, acaba sendo perseguido por um ser alienígena. Seu pai o salva, mandando-o para o helicóptero da Patrulha Cientifica, que lhe oferece a oportunidade de usar uma armadura criada por eles e ser o novo Ultraman para poder enfrentar a criatura e salvar seu pai, que já esta velho e com poucas chances de derrotar o alien. Shinjiro agora acaba se comprometendo a ser o novo Ultraman e ainda terá mais revelações em sua nova vida.

Enquanto a historia parece ser rasa para quem lê esse resumo, saiba que omiti o máximo de spoilers possível. Enquanto não parece ser a historia mais profunda do mundo, o mangá de Ultraman dá a profundidade suficiente para um fã de tokusatsus gostar e até de pessoas como eu que nunca foram muito fãs da serie original a gostar devido a abordagem diferente. Já fãs antigos (que não sejam xiitas) deverão apreciar o mangá por ele ser uma seqüência da serie clássica e fazendo bastante referencias a mesma. Os xiitas podem reclamar do visual da nova armadura não parecer com a do Ultraman clássico, isso é uma questão de gosto, mas a armadura moderna dá mais ênfase no tipo de historia que é anos a frente com uma nova geração de Ultraman.

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Os traços são bons, meio mas simplistas, principalmente em relação a cenários. Mas mesmo simplistas não significam que sejam ruins ou feios como em Steins;Gate, e olha que este as vezes tem cenários melhores, mas nos personagens vemos um traço bacana e que lembra um pouco de Evangelion, só que um pouco mais moderno, tanto que o protagonista lembra um pouco o Shinji da referida serie (e até o nome é parecido). Mas há momentos que os traços dão o seu brilho, principalmente nas cenas coloridas e nas cenas de ação que possuem bons enquadramentos com poucas cenas confusas. A leitura em si é rápida e tranqüila, mesmo com as cenas iniciais não mostrando momentos de ação, mas elas não são monótonas.

A polemica de Ultraman fica na questão física do manga. Com a atual crise do papel, a JBC se viu forçada a lançar certos mangas em offset e não em Brite 52. Tudo estaria muito bem se não fosse o fato do papel ser mais transparente do que os offsets usados antigamente. Comparei com mangas mais antigos da JBC em offset como Yu Yu Hakusho e Sailor Moon, B.B Project da Astral Comics e Madoka Magica: The Different Story da NewPOP. Gostaria de poder mostrar em fotos as diferenças, mas minha câmera não é boa para isso.

ShowImageO que posso afirmar é: sim, o papel é mais transparente em Ultraman. Mas não significa que os demais mangas mencionados não tenham transparência. Mesmo Sailor Moon que tem os traços mais suaves não deixa de exibir alguma transparência. Já B.B Project e Madoka tem muito mais traços e detalhes pretos que Ultraman e não vazam tanto. Mesmo sendo tão transparente assim, não significa que a leitura seja prejudicada. Esteticamente falando sim, incomoda a transparência, principalmente comparando a outros mangas, mas na leitura em si não é o fim do mundo.

Mesmo com problemas técnicos, Ultraman é um mangá bacana que merece ser conferido e pode ser a porta de entrada de mangas de tokusatsus virem com mais freqüência no Brasil.