Otaku é um termo usado para “classificar” um fã extremo da cultura de arte japonesa (no caso em especifico mangás, animes e cosplay) e um mangá sobre a “cultura otaku” é o que temos em Genshiken.

Composto por 9 volumes, Genshiken trata de história de um grupo de universitários que fazem parte do clube Genshiken (Sociedade para Estudo da Cultura Moderna Visualmente Dirigida) que nada mais é que um grupo de otakus que passam o tempo lendo mangás ou assistindo animes.

Parte da história acompanhamos Sasahara, um calouro sem nenhuma auto-confiança que ao entrar para o grupo, começa aos poucos se desenvolvendo e se envolvendo com o clube de modo que tanto o clube e ele mesmo crescem e mudam. Ele é o tipico sujeito que está iniciando no mundo otaku e não pende a ser “hardcore” em nenhuma de suas vertentes.

Já há demais membros que são mais “especialistas” em algumas das variadas vertentes de o mundo otaku proporciona, como: Madarame – o mais hardcore de todos e que vive quebrado por gastar dinheiro com dõjinshis (mangás independentes, feitos por fãs) e respectivamente o que mais tem cara de nerd. Ohno – Uma garota que ama fazer cosplays e que tem grandes atributos (aquela carinha) e é uma Fujoshi (consumidora de mangás yaoi). Kousaka – um gamer especialista em jogos de luta e eroges (jogos hentai) e que visualmente não tem “cara ou trejeito” de otaku. Tanaka – um rapaz com cara de tiozinho que coleciona e monta figures (bonecos de personagens) e especialista em corte e costura, o fazendo ficar bem proximo a Ohno. Kugayama – um rapaz gago e tímido que tem habilidades de desenho, mas é muito desmotivado por sí mesmo. Kuchiki – o típico chato que não faz nada em especifico no grupo, além de confusão, não por ser um “chato mau”, mas um “bobo da corte”.  Saki – a não otaku do grupo que só entrou no clube pra tentar tirar seu namorado, Kousaka do mundo otaku. Ogiue – uma garota que odeia otakus mas que na verdade é um deles e que é uma Fujoshi não assumida.

Assim como Bakuman mostrou um pouco dos bastidores dos mangakas, Genshiken mostra um pouco dos bastidores do mundo otaku de maneira bem mais despretensiosa. Não temos aqui nenhuma trama complexa e nem algum tipo de drama (o que até faria sentido se explorassem o conceito que a sociedade japonesa tem dos otakus, coisa que ocorre, mas bem pouco). Vemos mais é as história desse grupo que juntos apreciam os mesmos hobbies e entendem uns aos outros, sendo a Saki o oposto, que dá ao mangá o equilíbrio e momentos cômicos sem ser aquele cômico exagerado nos mangas.

Tanto vemos os personagens em historias que refletem seus respectivos hobbies quanto vemos Saki tentando entender aquele mundo tão diferente do comum. Participações no Comiket, eventos e o cotidiano daquele grupo que se deslocam da sociedade é o foco geral de Genshiken. É fato de que muito da cultura otaku é comentado, mas são os personagens em sí que acabam de mansinho conquistando (ou não) o leitor e talvez nem tanto o universo otaku de Genshiken. Por ter historias despretensiosas, o apelo de Genshiken ao leitor é do tipo “ame-o ou odeie-o”. Pra mim, um dos fatos de gostar de Genshiken é o de além de ter sido o primeiro mangá que comprei, junto de Ruronin Kenshin e Love Hina (antes só lia online) e que me identifiquei com algum dos personagens e a trama casual acabou me agradando. Leia-se “casual” mas apesar de ter seu lado escolar na trama, não é tão casual quanto K-ON que também trata-se de clube escolar e este ter um foco bem Genshikenmaior em comedia do que Genshiken, mas os momentos engraçados também ocorrem dentre algumas piadinhas ou situações que ocorrem.

E não só na trama, mas também o traço dos personagens remete a casualidade mas mais para remeter o clima do mangá mesmo do que falta de habilidade, já que é notável o nível de detalhamento dos cenários ser razoavelmente bem acima da media e os detalhes das roupas não ficarem atras, demonstrando que a simplicidade dos personagens são mais uma questão de estilo do que uma suposta falta de tecnica.

Enquanto não posso dizer que Genshiken é uma leitura essencial, posso garantir que se a JBC publicar sua seqüência, o Genshiken Nidaime, eu não perderia de acompanhar.