Solidão pode ser devastadora para algumas pessoas a ponto de gerar depressão que é o ponto de partida para insanidade em alguns casos. Mas quem vê de fora pessoas solitárias podem não entender como sofrem pessoas assim e leituras de um mangá como Só Voce Pode Ouvir pode ser interessante para entender um pouco da cabeça de quem passa por esse tipo de problema.


Lançado pela JBC em volume único e com a arte do mesmo mangaká de Another, Kimi ni Shika Kikoenai ou Só Voce Pode Ouvir (SVPO) como ficou definido para a versão Brasileira do mangá, conta a história de Ryo, uma jovem garota solitária que tem dificuldades na escola por não conseguir se socializar com ninguém devido a um certo trauma que passou a alguns anos. Ryo vê todas as pessoas com celulares e deseja ter um, mas não se acha “digna” de ter um, por não conseguir falar com ninguém e nem ter nenhuma amizade.

Mas em sua cabeça, devido a depressão da solidão, começou a criar detalhadamente o seu celular perfeito. É notório o quanto Ryo foca seu tempo pensando no seu celular imaginário, levando o leitor a questionar sua sanidade, mas durante uma aula, Ryo percebe que seu celular imaginário começa a tocar e ela é a única que pode ouvi-lo e após alguma relutância, atende o telefone em sua mente e acaba falando com Shinya, um garoto que também pode falar através de um celular imaginário.

Shinya é a primeira pessoa com quem Ryo consegue falar sem tantas dificuldades. Depois disso, mesmo achando que esta ficando louca, tenta ligar de volta para Shinya mas acaba falando com Harada, uma mulher que também é capaz de usar esse celular imaginário e que acaba sendo junto com Shinya os contatos que auxiliarão Ryo a mudar sua personalidade e logo descobrir que são pessoas reais que estão mesmo conversando. Só que existe uma diferença de tempo entre as conversas. No caso de Ryo e Shinya, existe uma diferença de 1 hora no tempo real entre eles, mesmo conversando simultaneamente via celular. Um fato muito importante para a história.

Em um único volume, SVPO conta uma história relativamente simples, sem diálogos complexos e de leitura rápida, mas que mostra bem um pouco da realidade de pessoas que sofrem de depressão por solidão e que tendem a ter dificuldades de se expressar a ponto de ter a impressão da língua ter atrofiado por quase não falar. Esse tipo de coisa é real e se não for tratada, pode levar a altos níveis de depressão na vida real. Claro que celulares imaginários que se comunicam com pessoas reais infelizmente não existem.

A arte de SVPO é de Hiro Kiyohara, o mesmo da versão mangá de Another, Kizu e Espirito de Culpa. Sempre ouvi falar que a arte dele é bem bonita e realmente é. Apesar de diferente no Só Você pode ouvirgeral, os rostos femininos lembram bem de longe a Nana. Nada de Shoujo estereotipado com olhos gigantes, mas sim uma arte bonita e que funciona bem para dramas como este.

Eu não recomendaria Só Você Pode Ouvir para quem esteja sofrendo de depressão no momento. Apesar não ser uma história pesada, é uma história que pode não fazer bem aos mais sensíveis por carregar um clima triste de inicio ao fim do mangá, além do fato de não existirem celulares imaginários que façam contato com pessoas reais, o que pode aumentar a depressão pra quem procurasse isso como solução . Mas para quem lê dramas com freqüência, este mangá é uma boa pedida.