Alguns mangás tem nomes que não fazem sentido algum com a trama, como Bleach por exemplo. Mas outros o nome é tão perfeito por causa da trama, que nenhum outro nome deveria ser usado. Esse é o caso de Omega Complex, o primeiro mangá da editora Alto Astral.

Omega Complex
Para começar, devo mencionar que esse mangá não é japones e sim francês, publicado pelo grupo “Le Humanoïds Associés” que cria quadrinhos desde 1974 e que nos anos 2000 arriscou a criação de mangás com as series Vairocana, BB Project e Omega Complex, sendo estes dois últimos considerados por alguns como Euromangá, mais expecificamente Omega Complex (não que esse termo seja oficial). O termo apesar de aparentemente não fazer muito sentido para quem não lê nada além de mangas, faz para quem conhece os quadrinhos do Tex por exemplo, que é um quadrinho italiano e quem conhece as artes de quadrinhos americanos, percebe as diferenças para o europeu.

Omega Complex possui traços extremamente semelhantes a Air Gear, que é obviamente um mangá Japonês e quem conhece sabe que o traço da serie do Oh Great! é de encher os olhos. A influencia européia já consta no fato do alto uso de sombreamento preto, muito comum como no já mencionado Tex. Essa soma de sombreamentos com alto contraste, muito maior do que  ocorre em mangás japoneses que acabou dando esse título não oficial de Euromanga aos mangás europeus, nem tanto ao fato dele ter sido criado na Europa. Não que esse estilo que um Euromanga tenha que não já tenha sido usado no Japão, principalmente em mangas Seinen / Gekiga clássicos, mas em mangas como Omega Complex, esse estilo é bem notório, principalmente por ser um manga Shonen e não Seinen / Gekiga.

E a influencia de Air Gear aparentemente não é só na aparência, mas sim na estrutura da história (e não há ecchis, se é isso que procura devido a semelhança da arte). Quem lê Air Gear sabe que a história tende a ser meio complexa, tanto com o uso de cenas meio nonsense, quanto partes aparentemente poéticas. Em Omega Complex não há trechos poéticos e mesmo cenas aparentemente nonsense tem algum sentido, porém muitas das vezes a razão é extremamente complexa para compreender, mesmo com as explicações. Omega Complex possui muito texto, texto demais para um manga Shonen. É praticamente um Death Note da vida em termos de texto. É notório que a quantidade de texto em um único balão é mais do que o normal e a fonte utilizada é minúscula e estranha (mas não culpem a editora Alto Astral, essa fonte é a mesma na versão francesa – e a fonte apresentada nas imagens desse post são de scans americanos, que usaram fontes melhores).

A história pós-apocalíptica ocorre numa terra onde os rumos da segunda guerra mundial terminam de modo diferente do ocorrido. O mundo sofre devido o uso de armas nucleares que tornaram boa parte da população em pessoas contaminadas e uma medicação é fornecida pelo governo americano chamada de G.H.O.S.T. e esse medicamento acaba por eventualmente transformando alguns em Érynies, seres monstruosos com poderes capazes de dizimar cidades e estes são caçados pelo governo, além dos que também não tomam o medicamento e são contaminados. Mas mesmo entre estes contaminados, existem alguns que conseguem utilizar de grandes poderes sem se transformar em monstros. Kama é um destes, um jovem caçador de recompensas que acaba se envolvendo num esquema para procurar por Ananké, uma jovem terrorista que se apossou de uma Tsa Bomba. Logo Kama descobre que esta de certo modo envolvido no grande projeto do Presidente Wood (o atual presidente americano) e que deverá dar um jeito nos planos de Wood e também encontrar com Sara, a negra (que é branca…). Nos três volumes temos quase de tudo, altas doses de ação e violência extrema, conspirações, reviravoltas, ficção cientifica e até viagens no tempo. Há algumas tentativas de comedia pra quebras a tensão, as vezes eficazes, as vezes não.

O interessante (ou não) em Omega Complex é que mesmo viagens temporais possuem explicação cientifica na história, usando explicações de teorias reais. Outras explicações cientificas também são reportadas mais detalhadamente no fim dos capitulos ou em extras com vários detalhes científicos de teorias reais ou detalhes científicos que explicam detalhes de bombas nucleares e outros. Essas explicações nos extras são ótimas por estarem separadas da história. O problema é quando estào detalhadas na história, colaborando para deixar a leitura mais arrastada ainda. Junte os detalhes científicos ou diálogos extensos e some ao fato de as vezes voce estar lendo no inicio do volume algo que pode ser do passado ou “futuro alternativo no passado”(?!) e voce de cara não entender isso. É fato que dá para se perder na leitura se não ler devagar e com paciência (e mesmo assim continuar perdido). E nem sempre é fácil identificar os personagens, em especial as mulheres, que são extremamente semelhantes. Inimigos se tornando aliados, vilões que não são vilões, mas são maléficos. Guerreiros atômicos (Cavaleiros Omega) que usam armas como espadas que amplificam ou neutralizam poderes. É tão complexo o emaranhado da história que fica complicado até de opinar. O inicio do volume 1 só fará realmente sentido no final do volume 3 e o final da história ao menos é coerente quando finalmente compreendemos mais ou menos do sentido geral do mangá. Não digo que gostei e nem que não gostei, mas foi um final diferente e acredito que leitores que tenham gosto por teorias cientificas irão de certa forma apreciar o final inesperado. Nos finais dos primeiros dois volumes, existem historias que não foram desenhadas por Shonen (sim, esse é o pseudônimo do artista, bem original, não?) e que apesar de terem uma arte inferior e de não ser fácil entender a ligação com a história principal, acabam sendo melhores para assimilar, ainda mais por serem bem curtas.

Omega ComplexNo fim, Omega Complex acabou se tornando o mesmo que Air Gear é para mim, um mangá que me interessa mais pela arte do que pelo conteúdo histórico e enquanto Omega acaba tendo mais história e coerência, ainda perde para Air Gear por ser muito arrastado.