Existem pessoas que não se deixam impedir de chegar a objetivos de vingança, nem que isso custe sua vida. Isso é assim desde a antigüidade em vários tempos, assim como no velho oeste de Green Blood.


Na antiga Manhattan, do tempo do velho oeste, a América era vista por estrangeiros como  o pais da oportunidade, mas estes ao chegarem lá, viam que a realidade era outra e por isso acabavam se tornando marginais da sociedade (é, algo bem semelhante a São Paulo). Enquanto mulheres tinham de se tornar escravas de prostituição, homens, em especial os Irlandeses, ou arrumavam empregos braçais a ganhos de centavos diários ou entravam para gangues. Gangues essas que pagando suborno aos policiais locais, mesmo na frente da população, acabavam “protegidas” e tinham liberdade para efetuar crimes.

Brad Burns, conhecido como “Grim Reaper” (ceifador) é o assassino mais destacado da gangue Grave Diggers, mas esconde esse fato de seu irmão mais novo Luke Burns que sustenta a casa em um trabalho braçal pesado. Luke é o que ainda mantém vivo o lado humano de Brad, que tem de matar mas sem gostar do serviço e que usa o dinheiro para investigar aquilo que é seu objetivo final antes de largar esse estilo de vida.

Neste volume 01, vemos os objetivos de Brad e sua relação com a gangue, que provavelmente entrará em cheque depois do final desse volume. Muitas situações Vão ocorrendo para mostrar o quão cruel Five Points (o local onde viviam) era e como Brad lidava com tudo, sendo frio em seu trabalho, mas mostrando humanidade quando seu irmão e Emma (uma prostituta) acabam se envolvendo de alguma maneira.

Não espere que Green Blood seja um mangá de faroeste ao estilo de Tex. Apesar de terem o mesmo tema, Green Blood é mais realista nos fatos. Cenas violentas e nudez feminina dão ao mangá um dos diferenciais em comparação a Tex. Mas apesar de muitos mangas tendem a explorar esses aspectos para venderem, Green Blood aposta na história e profundidade de seus personagens, mesmo não sendo um mangá arrastado, pelo contrario, a leitura até que pela história em sí foi tranqüila e de tempo moderado.

O que pode fazer o leitor demorar na leitura é admirar os traços. A arte de Kakizaki Masasumi lembra bem a arte de Takehiko Inoue de Vagabond. Dizer quem seria melhor seria injusto. Enquanto em Vagabond, os rostos dos personagens tendem a ser um pouco mais realistas, Green Blood traz cenários com um visual monstruoso. Enquanto Inoue usou menos texturas e mais hachuras, Kikazi por sua vez usa um misto das duas técnicas. Não consigo decidir qual dos dois se saem melhor, mas sei que ambos são extremamente habilidosos em transmitir pela arte suas historias.

Voltando ao tema da violência, porém com a arte. Espere ver corpos cortados, cabeças estouradas e algumas violências gráficas bem pesadas. Claro que não a um nGreen Bloodível de Berserk, mas devido ao nível de detalhe da arte, series como Ataque dos titãs pode não parecer tão violento em comparação, mesmo a serie dos gigantes tendo cenas bem extremas, mas o detalhismo gráfico de Green Blood acaba sendo mais chocante.

Green Blood é mais um exemplo de que não precisa ser residente de um pais em especifico para criar uma história envolvente. Uma história americana criada por japoneses assim como Tex que é criada por italianos, estes são ótimos exemplos de que não precisamos nos prender a tradiçōes locais para criar ótimas historias. Para fãs de Seinen, este primeiro volume já chegou mostrando que a serie tem realmente um grande potencial.