Sabe aquele mangá que não é japones, mas que com certeza se passaria por um se fosse feito no Japão, sem discussões? Bem, o manga B.B. Project é um deles.

BB Project
Do mesmo artista de Omega Complex, BB Project é mais um dos mangás lançados no Brasil pela Editora Alto Astral e assim como Omega, BB é um mangá europeu / francês. BB Project originalmente foi criado primeiro do que Omega Complex, mas lançado no Brasil depois de Omega. Na teoria, mangas mais novos teriam de ser melhores que os anteriores, principalmente pelo motivo de BB ter sido o primeiro mangá de Shonen (o autor) a ter sido lançado por uma editora e quem acompanhou meu review de Omega Complex, sabe que a serie tem alguns sérios defeitos. Mas em BB Project, ao menos o volume 1 apresentou ser superior a toda serie Omega não cometendo os mesmos erros.

BB Project

A história de BB Project é focada em Franck, um francês que acaba de ser transferido para uma escola em Kyoto no Japão, Franck é um enquencreiro nato e em seu primeiro dia já arrumou briga na escola com dois valentões que estavam extorquindo dinheiro de outro aluno. Mas Franck está longe de ser um “herói da justica”, tudo o que ele quer é uma boa briga e flertar com garotas (sendo sempre sem sucesso). Mesmo levando bronca de Ali e Hon – os responsáveis por sua guarda enquanto estiverem no Japão – e prometendo evitar se meter em encrenca, acaba se metendo num rolo pra salvar a bela japonesa Megumi, mas acaba não fazendo nada e ainda descobre a existência de Seishin (o equivalente ao Chakra, Ki, Cosmo, etc) que dá poderes especiais aos lutadores.

Megumi percebe algo de especial em Franck (que não é totalmente explicado no primeiro volume e inclusive Franck veio ao Japão para conhecer mais de suas origens) e junto a outros, faz com que Franck se junte ao Black Boat Project (BB Project, não é Baby Project como a própria série dá a entender de inicio), um torneio no submundo realizado para que facções escolares aceitem ou não os gaijins (estrangeiros) que sofrem bullying com altas doses de violência e o grupo do qual Franck pode talvez entrar é totalmente contra a perseguição aos gaijins, porém Franck deve mostrar seu valor como lutador para a equipe e para que Ali e Hon permitam que ele entre no BB Project.

Assim como Omega Complex, BB Project tem influencias de Air Gear, porém em maior dose. A arte lembra Air Gear e muitas nuances são semelhantes. O fato de batalhas escolares soar clichê em mangas, pelo que me lembre em mangas lançados no Brasil, apenas Ikktousen e Tenjho Tenge (este do mesmo autor de Air Gear) tratam do tema de lutas escolares, mas sem o ecchi apelativo dos dois, não querendo dizer que Franck não tente realizar nada pervertido, afinal ele é um típico personagen de Shonen (brigão, idiota nonsense, péssimo com as garotas, etc).

Apesar de todo o tema de lutas e bullying de BB Project, esse não é um mangá de se levar a sério, ao contrario de Omega Complex. Há muita comedia e situações nonsense que não deixam o mangá nada pesado. Pegue Air Gear, tire o ecchi e acrescente um roteiro coeso e com diálogos que façam sentido e você terá BB Project. Seria injusto chamar BB Project de copia de Air Gear se ele apenas pega uma influencia notória, mas consegue fazer bonito.

Apesar de usar fontes semelhantes as usadas em Omega Complex, os textos nos balões não são gigantescos em conteúdo, mas são maiores na maioria dos diálogos, ou seja, não temos nenhuma leitura cansativa, tudo flui normalmente. A arte é bem semelhante, mas menos chapada do que Omega Complex. Nas primeiras paginas a impressão é de ser um pouco inferior, mas só olhos treinados vão distinguir isso e a arte é matadora mesmo nessas paginas e logo a arte fica mais semelhante a Omega. A diferença entre as mudanças esta no sombreamento que usa um pouco de hachuras, mas que depois se torna mais solida. As cenas de batalha estão perfeitas e compreensiveis e diferente BB Projectde Omega Complex, BB Project tem leitura ocidental.

Eu espero muito que esse primeiro volume de BB Project reflita tudo o que o mangá seja nos seus 5 volumes. Ele tem tudo pra ser o melhor mangá que a editora Alto Astral já tenha lançado. É nessas horas que percebemos que um mangá não precisa ser japones para ser bom, estando anos luz a frente do único manga japones que a editora tenha lançado, o Anomal. O maior problema mesmo é o preço, R$ 14,90, o mesmo preço praticado em todos os demais mangás da editora, mas o papel é offset.

[Atualização]: Criamos um mini-review que dá nosso veredicto sobre os volumes finais, confira clicando aqui.