Demografias são um dos temas meio que polêmicos que os consumidores de mangás no Brasil lidam direta ou indiretamente. Algumas pessoas tendem a não se interessar a conhecer alguma história especifica só por causa da demografia. É notório que as vezes ocorre isso até com os mais vendidos como Shonen ou Seinen, mas o mais comum de sofrer este tipo de falta de interesse é o Shoujo/Josei. Desse vez, analisaremos um dos considerados “shoujo mais vendidos do mundo”, o mangá Nana.

Complicando um pouco: Todo Josei é Shoujo? É uma questão complexa. Se olhar apenas para a definição básica mais comumente aceita, Shoujo é “mangá para meninas” e Josei é “mangá para Moças maduras“. Porém ambos compartilham de temas como romance e drama, sendo o ultimo mais intenso nos Josei e mais “água com açúcar” em Shoujo, que tem traços mais “fofos” e Josei tem menos “olhos gigantes”, mas ambos com o traço mais fino que um Shonen, que possui traços mais “brutos”. Josei as vezes trata de temas como sexo do ponto de vista do interesse das mulheres, algo que em Shoujo não deveria ter, por ser para meninas mais jovens.

Parece então fácil entender quem é quem, certo? Bom, seria se os japas soubessem disso e não fizesse a salada que a demografia é hoje em dia. Por exemplo, Vitamin, o futuro lançamento da JBC é tido como Shoujo, tem traços de Shoujo, mas tema de Josei (com cenas de sexo e alta dose de drama) e não é recomendado para menores de 18 anos. Já Nana tem praticamente todas as características de Josei e foi considerado o Shoujo mais vendido do mundo. Percebe como a coisa é complicada? Se lá no Japão é complicado assim, imagina pra gente. E pra embolar mais ainda como exemplo, o spinoff de Attack of Titans: No Regrets é considerado Shoujo, então usar a premissa de que um mangá com protagonista feminino seria um Shoujo não encaixa nesse quesito.

Então eu, como homem, como faço pra tentar definir algo como Shoujo? Praticamente o traço suave, unido com sentimentalismo é a forma mais fácil de que eu considere algo como Shoujo. Basicamente isso foi o que me faz considerar Red Garden mais Shoujo que Seinen. Já os demais itens, Bom, isso varia de mangá para mangá, mas acho que a definição de Josei e Shoujo hoje em dia não fazer tanta diferença e é mais fácil definir tudo como Shoujo (o que é o mais comum hoje em dia).

Nana

Já mais ou menos interados do que viria a ser Shoujo, vamos falar de Nana, mangá lançado pela JBC em 2008 e paralisado desde o volume 21 devido a uma doença desconhecida da autora Ai Yazawa. Esse review é baseado apenas no volume 01 e não em toda a serie, já que o adquiri mais por curiosidade para entender um pouco da diferença entre Josei e Shoujo e principalmente depois de ter visto o primeiro episódio do anime e não ter achado ruim.

Notoriamente não vi até o momento os demais capitulos do anime e nem nada além do volume 01 do mangá, mas notei que ambos não começam iguais, sendo o primeiro volume do mangá uma introdução das personagens antes mesmo que se conheçam e suas motivações. O mangá se divide praticamente em duas historias, cada uma contando a história de Nana, são duas garotas com o mesmo nome, mas completamente diferentes. Na primeira e maior parte conta a história de Nana Komatsu, a tipica garota fofa/engraçada/lesadinha de shoujo especialista em se apaixonar a primeira vista por caras errados, porém mesmo com varias decepções seguidas, sempre se animava a encontrar uma paixão em definitivo, até que acaba se apaixonando por um homem casado e que se torna a maior das paixões e quando ele a deixa, a deixou tão devastada que teve dificuldades para se recuperar até que depois de muito enrolo, conseguiu arrumar um namorado que aparentemente a ama e que terá que se mudar para Tokyo. Após uma boa dose de drama, Nana resolve ir morar em Tokyo também, mesmo sem morar com ele.

Nana

Nana Osaki foge do estilo garotinha fofa devido a ser uma cantora de uma band Punk chamada Blast, junto a seu namorado Ren. Na segunda parte do mangá, vemos a trajetória do envolvimento amoroso de Nana com Ren, os dramas de sua infância que não foram fáceis e a separação do casal quando foi oferecido para Ren uma vaga de guitarrista em uma banda bem estabelecida em Tokyo, o Trapnest. Nana resolve ir a Tokyo um tempo depois da separação não para ir atras de Ren, mas pare obter uma carreira solida de vocalista. Obviamente as duas Nanas se encontrarão no volume seguinte e estabelecerão uma grande amizade, mas é notório que apenas Nana Osaki aparece na capa do volume 01.

Falemos dos traços, apesar de uma das Nanas serem “fofas” em sua personalidade, o traço dela e dos demais personagens não são do estereotipo esperado de um Shoujo, sendo mais “maduros”, lembrando muito aqueles desenhos feitos por estilistas de moda, o que é compreensível devido a formação da autora na área e que Nanaexplica como o visual das roupas dos personagens sejam bem mais arrojados do que o comum em mangas no geral. Uma coisa meio que comuns em mangas Shoujo é o fato de homens parecerem meio que afeminados, mesmo heteros, como nas capas de Zetsuen no Tempest (que não é Shoujo), mas em Nana, ao menos neste volume isso não acontece.

Apesar de não poder confirmar por toda a serie, Nana não apresenta motivos para ser apreciado por homens. O sentimentalismo não parece forçado e alguns bons momentos cômicos deixaram a história balanceada. Uma pena não estar em andamento.