review
Quando um mangá é considerado ecchi é praticamente certo que o pensamento do leitor seja que a exibição de peitos gigantes e calcinhas sejam o destaque principal da história, ou melhor dizendo, que a história é só uma desculpa, um tapa buraco pro autor expressar sua devoção as mulheres. Ok, concordo que as mulheres em sí já sejam uma obra de arte, mas um mangá que se preze tem de ter um minimo de história pra justificar os excessos do autor. Felizmente existem mangas considerados ecchi que contem história e um deles é Freezing.

Por já saber que Freezing é considerado ecchi, por muito tempo o via nas bancas e apesar de admirar as capas ( ͡° ͜ʖ ͡°) eu não acompanhava a serie devido a aquele estigma de que todo ecchi não tinha história e na época eu era bem mais seletivo ao tipo de história que eu queria acompanhar, apesar de já colecionar Love Hina na época que também é considerado ecchi, mas eu tinha pra mim que Freezing era um tipo de ecchi mais nonsense/hardcore tipo Ikktousen (do qual é um perfeito exemplo de ecchi apelativo sem uma história que justificasse tudo aquilo). Então um dia, de tanto “namorar as capas” eu comprei a edição 18 pra ter certeza do que se tratava e vi nessa edição vi que não era como um Ikktousen ou Tenjho Tenge (esse sendo pra mim outro campeão do ecchi nonsense, mas não no bom sentido. Não dá pra entender nada no caso dele). Acabei adquirindo as edições iniciais até o presente hiato da serie devido a JBC ter encostado no Japão. Mas esse review se limita dos volumes 01 ao 15, o que já lí até o momento, mas podendo incluir a 18 nesse “resumão”.

 

Freezing é uma serie onde a humanidade esta sendo ameaçada constantemente pelos novas, seres gigantescos que invadem a terra para a destruir e o planeta possui como armas de combate as chamadas Pandoras, garotas que possuem compatibilidade com os chamados stigmatas, objetos implantados em seus corpos que são capazes de dar as garotas poderes de combate inimagináveis. Junto a elas, homens que podem usar os stigmatas são chamados de Limiters e os mesmos são capazes de utilizar a habilidade de Freezing, capaz de paralizar o inimigo e auxiliar sua parceira Pandora nos combates.

Kazuya Aoi é um limiter novato que acaba de entrar para a West Genetics, uma das varias escolas de Pandoras e Limiters que os preparam para a guerra. Ele é neto de Gengo Aoi, o cientista que criou as pandoras e que é extremamente influente e misterioso. Kazuya é irmão mais novo de Kazuha Aoi, uma famosa Pandora que faleceu devido a sobrecarga de uso dos stigmatas, mas que salvou a humanidade em uma das Nova Clash, um dos embates da humanidade contra os novas. Devido esse parentesco, Kazuya tem um certo “peso” nas costas, mas tenta levar a vida “normalmente”. Kazuya acaba se sentindo atraído por Sattelizer El-bridget devido a mesma ter recebido algum dos stigmatas heróicos que estavam em Kazuha, dando a Kazuya a forte impressão de que tinha encontrado a irmã morta. Sattelizer é conhecida por todos como “a rainha intocável” por não admitir que ninguém fale e principalmente a toque, pois ela reage violentamente a quem a toca. Porém por algum motivo Kazuya não faz com que ela sinta essa repulsa por ser tocada e aos poucos acaba gostando de Kazuya, que como todo protagonista masculino de mangá, é um tapado nesse quesito. Na verdade, nem ele sabe exatamente o que sente.

 

Durante Freezing, temos aquilo que é esperado de um mangá que tem ambientação escolar: o “love” enrolado dos protagonistas, tretas com as veteranas e rivais no amor. Seria um mangá comum se não tiverem os fatores ecchi e temas “adultos“. Separo os dois porque apesar de teoricamente ecchi por conter cenas picantes deveria ser considerado como adulto por alguns (o que pra mim é mais é sinônimo de sacana), a parte realmente adulta é o fato de conter uma boa dose de violência com cabeças e corpos decepados, como temas sombrios desde a crueldade da guerra a estupros, incesto (não glamourizado como na maioria dos mangas, mas sim de modo abusivo) e política. A parte ecchi podemos dizer que se enquadram em duas partes, as paginas coloridas com cenas sensuais que não tem nada a ver com a história e cenas acontecimentos na trama que em sí que não tapam buraco para preencher algum suposto vazio de história. Se são necessárias? Ao menos a maior parte não foge do contexto e a única parte realmente não necessária a história e que contem muito fanservice até o volume 15 foi uma partida de vôlei onde as participantes acabaram rasgando seus uniformes de propósito. Em termo de comparação, Queen’s Blade seria mais ecchi que Freezing e este mais “adulto”.

Freezing

Apesar de todo o conteúdo da história ser interessante, nos primeiros volumes temos uma grande quantidade de informação e muitas delas não possuem suas razões explicadas, como o surgimento dos novas, stigmatas e muitas outras coisas. Mas conforme a história segue e os tramas vão ocorrendo, essas informações acabam sendo absorvidas de modo a que o leitor foque na trama apresentada e não nas origens dos ocorridos, isso se o leitor não desistir de seguir, pois considero os três volumes iniciais peças chave para ou continuar ou desistir da trama, não que ela tenha complexidade, mas por não trazer todas as respostas. Algumas coisas vão se clareando aos poucos, mas demora.

Os traços de Freezing são bacanas, além da anatomia ser perfeita, com os devidos exageros ( ͡° ͜ʖ ͡°) , nota-se um belo cuidado na qualidade da arte em geral. O maio problema é um problema recorrente de mangás com personagens demais como Freezing: Os rostos são todos iguais, mudando mais o cabelo entre as mulheres e o Freezingmesmo caso nos homens jovens (apesar de já ter confundido alguns personagens femininos com homens e vice-versa quando usam roupas tipo camisa social). Muitos personagens, mesmo as de mais destaque dentre as coadjuvantes tendem a ter cabelos parecidos, de modo que fica difícil  diferenciar alguns e mesmo com o tempo ainda tem personagens que confundo quem é quem. Já as cenas de combate são um show a parte, extremamente bem feitos, mesmo em situações exageradas a parte técnica não desaponta.

Apesar das coisas poderem esquentar em volumes posteriores, até o volume 15, Freezing se mostrou um mangá bacana e de conteúdo onde as beldades são um bônus ( ͡° ͜ʖ ͡°).