O que você faria se pudesse eliminar qualquer pessoa simplesmente ao escrever seu nome em um caderno? Levaria “justiça” eliminando o mal do mundo? Eliminaria qualquer inimigo? Ou repudiaria tirar a vida de qualquer pessoa que seja? Essa é a premissa de Death Note, o premiado mangá de Tsugumi Obha e Takeshi Obta, autores do também premiado Bakuman.

Um dos personagens centrais, Raito Yagami (ou Light Yagami) encontra o Death Note (caderno da morte) de Ryuki, um shinigami (deus da morte) que tinha enganado seu superior e arrumou dois cadernos e deixou um na terra para ver o que de interessante poderia acontecer. Light percebeu que o caderno é uma poderosa ferramenta que serve para eliminar o mal do mundo e ao auto-denominar-se um “novo deus”, resolve eliminar todos os criminosos para construir um mundo melhor, começando a ser conhecido como Kira, já que Light não fez seus atos publicamente e as pessoas ao perceberem que os atos contra os criminosos seria uma “ação divina”, começaram a chamar de Kira o autor desses atos.

Death Note
As ações de Kira começaram a chamar a atenção do mundo todo e devido a maioria de crimes ter inicio no Japão, a policia japonesa ao se perceber incapaz de localizar e prender Kira, tem a ajuda de L, o maior detetive do mundo, e assim começa a grande rivalidade de Light e L em um grandioso e complexo histórico de perseguição policial.

Certamente Death Note é um mangá que merece sua fama e que põem em cheque a consciência do leitor quanto ao o que está certo, a Justiça de Kira onde todo criminoso deve morrer ou a Justiça de L onde mesmo criminosos não devem ser mortos. Não é uma leitura leve, mas bem arrastada devido ao alto grau de complexidade de como a história ocorre, muito mais carregado e complexo do que o excelente Prophecy. Tanto Light quanto L (e futuramente Near e Mello) possuem raciocínios acima da media e suas explicações para os ocorridos chegam a ser complexos demais para a compreensão em uma primeira lida (e Light poderia muito bem ser parente do Mcguyver, porque é cada invenção que…). Apesar da história ser mais arrastada do que o padrão, ela consegue ser interessante e prende a atenção do leitor por focar mais no lado “humano” da história e nem tanto no sobrenatural, mesmo com grandes interações com os shinigamis, como o Ryuki que, apesar de sua aparência assustadora, consegue quebrar o clima denso de vez em quando e prover situações engraçadas, sem ser um completo idiota (apesar dele não ser lá muito inteligente). E como não falar de Misa Amane? Uma linda modelo que é uma das peças chaves da trama e que possui uma inocência inacreditável, mas é impossível não gostar dela (e se você não gosta, o problema não é ela, é você mesmo!).

Death Note

Mesmo afirmando ser uma história interessante, não posso dizer que não chega a ser uma história forçada em alguns aspectos, tanto no “Mcguyverismo” de Light quanto como L, Near e Mello chegam a certas conclusões chegam a beirar o cumulo da lógica das massas. Felizmente o autor consegue fazer que esses aspectos não cheguem a tirar o interesse pela história no geral.

Apesar de ter lido toda a historia a primeira vez online, esse review teve como base a versão Black Edition, lançada pela Jbc em 2013 e recentemente tendo uma reimpressão disponibilizada, mas restrita a apenas lojas especializadas e não bancas, o que é compreensível, devido a ser uma edição de luxo e não a versão normal também já lançada pela JBC em 2007 que contava com 12 edições e sendo a Black Edition em 6 Edições e com uma qualidade muito superior a antiga versão.

Death NoteQuanto aos traços, não tenho como negar que sou grande fã do traço de Obta, que começou a se destacar como é exatamente com Death Note. Mesmo seu trabalho anterior sendo de temática e estilo tão diferente – Hiraku no Go – já apresentava traços muito bacanas, foi os traços de Death Note que fez com que o artista se destacasse mais ainda e que fizesse com que qualquer obra posterior tivesse tivesse a arte como um dos fatores principais de compra, assim como ocorreu comigo com All You Need is Kill, do qual já resenhei e Bakuman, que estou acompanhando. Claro que não são traços a nível de detalhamento extremo como Takehiko Inoue (Vagabond) ou Kentaro Miura (Berserk, Gigantomachia), porém são traços acima da media em comparação a outros mangas.

Com certeza Death Note – Black Edition é uma daquelas coleções que merecem estar na estante de qualquer colecionador que gosta de uma leitura inteligente e misteriosa, aliada a uma boa arte.