Publicar um mangá é o sonho de muita gente. E publicar um mangá que tem como tema um pouco da rotina de um mangaká e de sua publicação é o tema abordado em Bakuman, mangá dos mesmos autores de Death Note, publicado no Brasil pela JBC em 2011 e que em 2014 retornou as bancas.
Bakuman
O mangá conta a história de Moritaka Mashiro, um estudante que estava antecipadamente aceitando o futuro monótono de um trabalhador comum ao terminar os estudos e que é apaixonado por Miho Azuki. Mashiro tem habilidades de desenho e um dia desenhou Azuki em seu caderno durante a aula e ao chegar em casa, percebeu que esqueceu o caderno na escola. Ao retornar para busca-lo, encontra-se com Akito Takagi, um colega de classe que o aguardava com o caderno de Mashiro e pede para que ambos se unam para criarem juntos um mangá, deixando Takagi no papel de roteirista. Mashiro a principio recusa a oferta e que o fato de seu tio ter sido mangaká e ter morrido tentando conseguir emplacar um sucesso no ramo. Mas Takagi, ciente de que Mashiro gostava de Azuki, utilizou de estratégia usando o fato de saber que Azuki deseja ser dubladora e que um possível mangá de sucesso da dupla que obtivesse sucesso, poderia ter Azuki como uma das dubladoras, mexendo com o psicológico de Mashiro que ao questionar Azuki se ser dubladora era seu sonho, acabou por extrapolar e pedir a garota em casamento quando ambos obtivessem sucesso em seus sonhos e Azuki acaba aceitando, com a condição de só se verem quando os sonhos de ambos se realizassem, levando Mashiro e Tagaki a lutarem para emplacar uma obra na Jump (uma das principais editoras de mangá no Japão).

Bakuman

Bakuman é uma obra que contem 20 volumes ao todo, porém este review abrange até o volume 5, o que é suficiente para ver que o processo de criação e publicação de um mangá não é tão simples quanto muitos garotos aspirantes a mangakas pensam que é. O mangá tem a parte de ficção que é a improvável história de amor de Mahiro e Azuki e a parte realista no processo de criação do mangá. Porém deve-se notar que Bakuman não é um mangá didático. Não espere aprender a desenhar com ele, porém há muita coisa que pode servir de dicas desde a necessidade de Story-boards a outros pequenos detalhes técnicos que podem ajudar no processo de criação de um mangá. Mas há outras coisas que não são aplicáveis na realidade brasileira como o processo de publicação de um mangá, mas que valem como conhecimento. Algo importante a destacar é o quanto os autores trabalham com os editores no processo de criação do mangá, indo desde conselhos e analisando a história em mínimos detalhes, as vezes quadro-a-quadro e a grande pressão que os autores levam de todo lado.

Bakuman

Para um mangá não didático, Bakuman tem muito texto e muita informação, tanto quanto ou até superior a Death Note. A grande diferença é que em Death Note os texto são longos e exigem uma leitura mais pausada para compreender o que esta acontecendo. Já Bakuman mesmo com muito texto, consegue ser muito mais fácil de acompanhar, mas não espere uma leitura rápida, um unico volume dará mais tempo de apreciação do que mangás convencionais.

Falar dos traços de Takeshi Obta é chover no molhado. Quem já leu minhas analises de Death Note e All You Need Is Kill sabe o quanto aprecio a arte de Obta. É Bakumannotório que os mencionados mangas tem um traço mais parecido, sendo AYNK mais novo e mais violento. Bakuman reside entre os dois e logo percebe-se que Obta tentou mudar um pouco o estilo, notadamente começando pelos olhos. Mas percebe-se que seu estilo característico se mantém e até é notório a semelhança de Takagi com Light Yagami de Death Note.

Misturando uma história engraçada, interessante com a realidade dos mangakas, Bakuman mostrou-se um mangá muito interessante a todo tipo de leitor, mesmo dentre os que não sabem desenhar, mas que assim dêem valor a todo artista que trabalha para que sua arte seja publicada e que os que desenham tenham mais pé no chão.