É dito por uma parcela de leitores de livros de que quadrinhos ou mangás não são tão capazes de levar a imersão do mundo contado pela história como os livros. Além dessa rixa ser sem fundamento, quem conhece o mangá Vagabond muda seus conceitos instantaneamente.

Inicialmente lançado no Brasil pela Conrad em formatos meio tanko e em formato de luxo, Vagabond retornou ao Brasil pela editora Nova Sampa exclusivamente em formato de luxo e a partir da edição 15, continuando onde a Conrad parou.

Vagabond
Vagabond é baseado na obra Myamoto Musashi, de Eiji Yoshikawa e tendo sua adaptação em mangá feita por Takehiko Inoue de Slam Dunk. Em Vagabond – A lenda de Musashi, temos em resumos, historias de samurais, mas não de uma maneira “Shonen”. Tudo em sua história é de modo poético sem ser chato e complicado, muito pelo contrário, desde as lutas a trama em sí, tudo remete ao leitor a se inserir na trama como se estivesse vivenciado tudo aquilo. É praticamente impossível separar a história da arte de Inoue, que nos brinda com um gekiga detalhadissimo, desde os personagens ao cenário. A arte é tão impressionante que ela é capaz de fazer com que o leitor pare um bom tempo olhando cada quadro e nem sempre eles possuem um dialogo, ou possuem diálogos simples. Essa é a beleza central de Vagabond, não há um emaranhado de textos para contar a história, mas também não é um livro de puras ilustraçōes, mas sim uma arte completa, que consegue transmitir a história de modo a calar a boca de muitos “livrolatras”.

Vagabond
Devido a Vagabond continuar no Brasil a partir do volume 15 e eu não ter acompanhado seu inicio, algumas questōes ficaram no ar como “quem é Myamoto Musashi?“. Eu poderia pesquisar no Google e em sites especializados, mas como a Nova Sampa pretende relançar  a primeira edição, prefiro deixar quieto (não que eu me importe com spoilers 😉 ). Neste volume vemos o velho mestre Kanemaki que é chamado pela aldeia vizinha para eliminar Fudou, um samurai errante do qual ninguém consegue lidar e que vai a vila para roubar meninas de 14 anos para sí. Kanemaki é pai de Kojiro, um garoto surdo-mudo que é a única razão de vida de Kanemaki e o velho samurai que esta receoso de enfrentar Fudou, principalmente ao encontra-lo pela primeira vez e ver que o mesmo é assustador e que apenas o seu olhar mergulhado em trevas foi capaz de paralisa-lo. Decidido a o enfrentar, mesmo sabendo que a morte seria certa, ao mesmo tempo Kojiro juntamente com Kamekichi resolvem lidar com Fudou eles mesmos para vingar o pai de Kamekichi que teve seu braço decepado por Fudou. E apartir dai, um duelo de vida e morte ocorre.

Vagabond

Em relação a parte física da edição de luxo da Nova Sampa, apesar de que 40 reais ser algo irreal para a realidade Brasileira, se comparado a Death Note Black Edition por ter bem menos paginas, é notável a qualidade do produto. O tamanho é maior do que a maioria dos mangas, dando pra apreciar bem os detalhes da arte. O papel do miolo é bem grosso, quase uma cartolina, mas superior. É o tipo de aquisição que assusta em pensar ao comprar, mas que deixa satisfeito após conferir.

Vagabond – A lenda de Musashi é o tipo de obra que todo mundo que gosta de arte deveria ter. É inspirador a quem desenha, é viajante em seu modo de contar história, é arte de verdade.