As chances de eu resistir a aquisição de one-shots (historias de volume único) são quase nulas, a não ser que o tema me desagrade demais. Mas quando soube que a Panini lançaria uma one-shot de Kentaro Miura, autor de Berserk, tive certeza de que eu deveria conhecer Gigantomachia.

A razão principal de minha vontade de conhecer Gigantomachia (GM) não é o fato de gostar ou não de Berserk, na verdade, nunca liguei muito pra essa serie (não me apedrejem), mas confesso que a arte de Miura é impressionante e resolvi dar uma chance a GM. A razão pela qual admiro os traços de Miura é o fato dele utilizar ao extremo técnicas de Hachuras para sombreamento (hachuras são riscos) e enquanto hachuras são usadas por alguns mangakas mais em personagens e raramente em cenários, no caso de Miura, esse tipo de tecnica é usado em praticamente em tudo, deixando a arte muito mais impressionante. Claro que isso se deve ao fato de Miura saber usar extremamente bem a tecnica e ranhuras fracas podem destruir uma arte se usado em demasia como o autor de Berserk usa. Para mim, Miura só perde para Takehiko Inoue, autor de Vagabond, mas por muito pouco.
Gigantomachia

Falando em Berserk, é meio que obvio de que a comparação seria feita tanto na esfera visual, quanto histórica com GM. Historicamente falando, são dois universos e estilos diferentes. Ambas historias contem monstros e ambientes hostis, mas não são “mais do mesmo”. Ou seja, quem procurar GM procurando por um Berserk da vida, não encontrará. Berserk é violento, sombrio e cheio que cenas grotescas, sendo recomendado para maiores de 18 anos, já GM é bem mais acessível, tendo sua faixa etária recomendada mínima de 14 anos.

Já visualmente falando, é necessário saber que GM foi criado num período de hiato de Berserk, então se for comparar com os primeiros volumes de Berserk, lógicamente considerará GM tecnicamente superior, devido a tecnica de hachura de Miura ter evoluído com o tempo. Ao se comparar com Berserk mais atual, a impressão que temos é que GM seja pouco inferior, por causa dos personagens, mas isso é impressão devido aos personagens centrais de GM não terem aquela cara seria e mais realista ao comparado com Berserk.  Mas no geral a qualidade é a mesa.
Gigantomachia

A história de GM gira em torno da dupla Delos e Prome em um mundo pós-apocalíptico muitíssimo a frente de nosso tempo. Delos é um gladiador honrado e Prome é uma garota de misteriosos poderes. Ambos tem a missão de procurar por partes de Gaia (gigantes) e acabam descobrindo que um deles está em uma aldeia que os capturou devido Delos e Prome serem Humanos “hus” e os aldeões “mus“.  Os hus são os humanos comuns e os mus são a forma evoluída que adquiriram características de insetos. Porém os mus foram caçados pelo “império“, formado por hus que consideram os mus como seres inferiores. Devido o ódio dos mus pelos hus, Delos e Prome (não sendo ela exatamente humana) são capturados e devem enfrentar o temível guerreiro Ogun. Nesse meio tempo o império com um de seus gigantes esta para invadir a aldeia para capturar o outro gigante que esta na aldeia e que os aldeões pensam ser um deus.

Pode-se dizer que GM se divide em três partes, a luta contra Ogun, a luta com o gigante e a parte mais focada na dupla. A primeira parte pode dar a sensação de já ter visto aquilo em algum filme da sessão da tarde, claro que com suas particularidades que dão o diferencial e evitam dessa parte da história soar genérica.
Gigantomachia
A segunda parte, apesar das lutas entre gigantes parecer soar como um Ataque de Titãs milhões de vezes melhor desenhado, na verdade em nada tem a ver com o referido manga e sim lembrar fortemente uma batalha de robôs de Power Rangers!! A terceira parte é um pouco mais focada na comedia que também existe em menor escala nas outras duas partes. Nada extremamente cômico, mas que ajuda a fechar o volume único de GM, apesar de soar meio que um tapa buraco.

O fato de GM ser em volume único, enquanto é vantagem pro bolso de colecionadores, é um problema para GM. Ele é extremamente rico em detalhes que mereceriam uma resposta mas que não são encontradas aqui, tanto sobre os gigantes, quanto ao mundo devastado, o império e da missão de Delos e Prome desde o seu encontro e possível status “conjugal” já que apesar de Prome ser uma tagarela as vezes massante, consegue promover com Delos situações engraçadas de um possível e improvável casal.

GigantomachiaPor ser uma edição de volume único e nos mesmos moldes da edição de luxo de Berserk, Gigantomachia merece uma conferida por quem é fã da arte de Kentaro Miura ou de mangas com artes bem trabalhadas. Pela história em sí vai de gosto pessoal mesmo. Mesmo quem não gosta do tema pesado e carregado de Berserk pode acabar gostando de GM, principalmente pelo capricho de sua arte. Quem sabe no final de Berserk teremos o mundo de GM melhor explorado?